O Líder Não Tem as Respostas

Gostava de partilhar uma história pessoal que me ensinou uma lição de Liderança que ainda hoje é chave!

Eu era um gestor de produto júnior num organização jovem, dinâmica, divertida, irreverente e ambiciosa – tinha o espirito de uma startup mas o poder de ser uma subsidiária de uma grande multinacional. Os meus colegas eram todos profissionais altamente ambiciosos, competentes, inovadores e tínhamos todos muito orgulho da nossa organização e da nossa cultura. Celebrávamos os nossos muito sucessos, fazíamos festas e todas as 5ª feiras eram “santas” – com jantar e copos pela noite dentro (6ª feira tornava-se inevitavelmente num dia de “introspecção estratégica”). Eu fazia parte da “turma” e era um deles: ambicioso, irreverente, criativo, e dinâmico.

Mas um dia…

Mas um dia soubemos que uma organização 8 vezes maior que a nossa iria tomar a nossa “startup” e assumir o comando das operações. Essa organização já não era uma “startup” – tinha mais de 400 pessoas e várias dezenas de anos de existência.

Como era possível?! Nós éramos muito melhores que eles! Eles iam matar o espirito fantástico da nossa organização! Iam impor a sua formalidade e o seu “cinzentismo” e limpar a nossa energia e retirar-nos a nossa independência. Pior! Era injusto! Um balde água fria no nosso orgulho!

Este sentimento de injustiça foi alimentando uma raiva e um desdém em todo o grupo – muitos de nós direcionávamos a nossa energia para alimentar este sentimento colectivo – e quem dissesse pior e de modo mais contundente elevava-se na hierarquia social – o espirito competitivo também aparecia neste constante mal-dizer.

No meio desta espiral, um dia, numa troca de emails entre o nosso grupo onde naturalmente também estava o nosso director (éramos todos amigos), eu respondi de forma mais contundente que consegui – já não sei exactamente o que escrevi – mas foi duro e destrutivo de certeza a dizer mal “deles”, dos que nos vinham “matar”.

Chamado à sala

Poucos minutos depois o meu director dirige-se à minha secretária e pede para falar comigo na sala ao lado – ups! o que vém aí?! Não me digam que ele afinal está “do outro lado” que ele concorda com o que se está a passar!

“Hugo, para que é que foi aquele email?” – eu respondi atabalhoadamente e de forma embaraçada qualquer coisa sobre a injustiça, sobre o que estava a acontecer, que não gostava “deles”,…
“E achas que o que estás a fazer vai resolver ou mudar alguma coisa?” – Fiquei mudo, apanhado de surpresa por aquela pergunta desarmante. A única resposta que tinha na mente era “Não” mas não era a resposta que a minha raiva queria dar – esta luta interna entre a minha emoção e a visão mais pragmática que ele me estava a mostrar paralisara-me. Finalmente, apenas consegui responder que “Pois,…”

Obviamente o meu comportamento mudou a partir desse dia – comecei a aceitar a mudança que estava a acontecer de outra forma: havia coisas que estavam fora da minha zona de influência e controlo, e outras que estavam ao meu alcance e onde devia concentrar as minhas energias.

A lição

Com 2 perguntas apenas o meu director desmontou a minha raiva e fez-me ver para lá do impulso, da cultura vigente de “mal-dizer”, e convidou-me a contribuir para melhorar a situação de um modo que eu realmente acreditasse – fez-me reflectir sobre mim.
Não foi preciso ele recriminar-me directamente – isso iria por-me na defesa – nem dizer-me o que devia fazer ou não fazer – isso iria fazer que eu o fizesse sem acreditar, sem energia ou convicção. Ele “apenas” me ajudou a encontrar as respostas – e ao ser eu a encontrar as respostas tive muito menos resistência em aceita-las (eram minhas!) e em seguir um caminho mais esclarecido e mais convicto – que iriam ser melhores para mim e para a organização.

Foi uma grande lição de liderança, do poder das perguntas e da contenção – A principal função de um líder não é ter as respostas – mas sim fazer as perguntas certas.

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About Hugo

Consultant, Trainer, Facilitator and Mentor. I discover and develop market opportunities using my experience and knowledge of marketing, digital business, product development and strategy and leveraging on my leadership and team management skills. I have a broad experience in creating new products, new business ventures and knowledge of many different areas such as sales, legal, finance, IT and HR to be able to turn ideas into solid results.
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7 Responses to O Líder Não Tem as Respostas

  1. Helena Josue says:

    nao posso deixar de sorrir…:) Sei bem do que estas a falar. Good to hear from you, Hugo. All the best! Helena

  2. Vasco says:

    Muito bom!

  3. Luisa Delgado says:

    🙂 Fez-me lembrar muito coisa. O sonho do “Start up forever” e as recordacoes de como fomos adquirindo “leadership maturity” passo a passo no Alto da Barra de entao mantem-se vivos. 🙂 Luisa

  4. Bruno Sousa says:

    Conheces? http://www.youtube.com/watch?v=KrR-OUSCWjE
    Ele tem um video muito bom chamado Gods of Management, mas não encontro no youtube…

  5. Pingback: As Questões do Líder | en x 4

  6. Pingback: As Questões do Líder | Adding Talent

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